segunda-feira, 11 de junho de 2012

Um maço de cigarro Marlboro, por favor, até ontem eu não fumava.

O senhor da venda perguntou, acho que ele desconfiava da minha pouca idade. Na verdade eu não tinha, nunca gostei de certezas, e na epoca nem gostava de cigarros, mas como qualquer outra droga, eu tinha que experimentar. Acho que no fundo eu estava fazendo a coisa errada, não me refiro ao maço de cigarro, nem se quer eu fumei, estou falando do fato de eu desistir tão fácil das coisas. Eu sempre fui muito idiota, as pessoas me enxergavam idiota e nunca fiz nada para mudar essa visão. Mas dane-se, eu estou cansada. O amor, droga, em geral me cansa. Acho incrível o potencial que as pessoas tem para fingir, fingem serem felizes, fingem que gostam, fingem que está bonito, fingem até que amam. Mas eu nunca consegui fingir, deve ser por isso que sou a única alma solitária escrevendo sobre o quão ruim o amor é, e toda essa baboseira. Passei a maior parte da minha vida sorrindo sem estar feliz, cumprimentando quando na verdade nem queria falar, mas não sei se você me entende, isso nunca foi fingimento. Era muito além, eu queria que as pessoas não vissem o quanto eu estava infeliz, pois nada é pior do que olhares de pena. “Tadinha!” “Coitada!” “Que dó!” “Pobre moça!” “Devia ajudar ela…” Tenho que dizer uma coisa, encare como uma confissão, palavras de consolo me enoja. E quase ninguém percebe isso. Mas tudo bem, eu supero. Já superei tanta coisa nessa vida, tantos amores mal amados, olhares não retribuídos, dúvidas que eu carrego até hoje. Mas eu sei que dói, dói muito. Dói tentar esquecer, dói tentar corresponder, dói não ser amado, dói quando se é esquecido, dói quando se quer o que não tem, dói ter pela metade, o frio dói, em todos os sentidos. O dia claro quando bate nos olhos dói, abrir os olhos dói, dói enxergar a verdade, e dói viver completamente iludida. Ah, qual é? Você sabe muito bem que poderíamos passar horas só citando aquilo que machuca, aquilo que dói, mas quer saber não vale a pena. Porque ser feliz é mais fácil, mais barato, uma pena que passe tão rápido. Mas temos 24 horas, sim, todos os dias, vamos gasta-lo tentando ser alguma coisa, alguma coisa que preste, porque de lixo o mundo já está cheio. Podem me mandar calar a boca, morrer, sumir, sei lá, mas eu sempre falo o que tenho que falar. O mundo está perdido mesmo, você sabe. A política é um merda, a televisão é uma merda, ninguém mais lê, não vejo diferença entre policiais e bandidos e estamos acomodados. Mas dane-se. Eu não posso mudar o mundo. Só queria te pedir um pouquinho de atenção, um pouquinho de amor, só queria que você amasse. Amasse a si mesmo, pois que sabe se salvarmos um por um, não voltamos a ser o que se pode chamar de seres humanos racionais. E como diria meu amigo Cazuza: “Nada nesse mundo é nunca mais.”
Eu não fumei aquele dia, nem sabia se aquela marca era a melhor.  

Michelle Sampaio

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